Em um mundo tão agitado, superficial e imediatista, a frase mais rápida e automática que usamos é: “Tudo bem.”
Mas… será mesmo?
Quantas vezes descobrimos que aquela pessoa com quem conversamos na semana passada não estava bem? Depois dos 30 anos, entramos em uma fase desafiadora da vida. Onde está tudo aquilo que idealizaram para nós? Aquilo que diziam que deveríamos conquistar, construir, alcançar?
A sensação de fracasso se torna comum. Muitas vezes, não temos amigos para desabafar. Sentimo-nos pesadas, cheias de responsabilidades, e sem apoio para lidar com esse sentimento constante de sobrecarga emocional.
A dor, muitas vezes, não é visível. A palavra também não é fácil de dizer.
Então, como devemos agir?
Devemos ser sinceras e dizer “não, não está tudo bem”? Ou é mais fácil ignorar e continuar a viver na superficialidade que nos acostumamos?
Não cabe a mim dizer o que é melhor para você. Mas o que tenho percebido é que, cada vez mais, as pessoas encontram na internet o abraço que não receberam, a palavra de afirmação e conforto que nunca foi dita… e até mesmo um espaço para se mostrar fracas, sobrecarregadas, humanas.
E isso desperta, em outras pessoas, o mesmo sentimento:
“É exatamente assim que eu me sinto.”
Elas finalmente ganham voz e espaço que não encontram no mundo físico. Esse é um dos grandes benefícios da era digital.
Mas também há o outro lado dessa moeda: o julgamento.
“Você não deveria…”
“Você errou…”
“Eu faria diferente…”
“Foi por isso que aconteceu…”
Sim, há muitas opiniões para uma mesma dor.
Ligar a câmera e desabafar tem se tornado uma tendência. Os próprios terapeutas, hoje, encorajam que a dor seja verbalizada. Mas logo vem a realidade:
“Eu não tenho amigos.”
Isso tem se tornado comum — não por falta de valor nas relações, mas porque “a vida está corrida demais”…
Será mesmo?
Recorrer a Deus é um ato simples e acessível.
Mas o silêncio de Deus, para quem está fragilizado, pode parecer assustador. Sim, Ele age através de pessoas, confirmações e em momentos inesperados. Mas para muitos, o silêncio sugere abandono. O fácil acesso parece simples demais, quase inacreditável.
E quando o sentimento de fracasso domina, a pessoa se sente indigna de acessar alguém tão grandioso.
E então, preenchemos o tempo, nos ocupamos, nos anestesiamos.
Mas o coração continua gritando por descanso.
Hoje, enquanto escrevo isso, não encontrei uma razão específica para fazê-lo. Apenas senti.
Senti que há muitos em silêncio, esperando ser acolhidos.
Gente que só precisa ser ouvida, abraçada, amada.
A vida é um sopro. E fazer com que ela valha a pena, pra mim e para o outro, é uma missão desafiadora — mas possível e admirável.
Sentir a dor do outro, orar, escutar… isso transforma o mundo.
Deus se alegra dos filhos que se amam, se apoiam e que Nele buscam refúgio. Talvez você seja a ponte entre alguém e Deus. E nem precisa falar sobre Ele — talvez só agir como um filho amado, cheio de amor.
Se hoje você sente que não tem amigos, lembre-se: você tem a Ele.
Feche a porta do quarto.
E então será só você e Ele.
Fale. Grite. Chore.
Mas compartilhe.
Sim, Ele já sabe de tudo.
Mas o agir dEle só acontece quando você permite, quando você convida Ele para entrar, para manifestar o poder e a glória Dele na sua vida.
Às vezes, não ter amigos pode ser justamente o caminho que Deus encontrou para se aproximar de você.
Eu creio que essa sobrecarga não é castigo. Ela existe para que você aprenda a descansar Nele.
Você pode não ter nada visível agora, porque antes, é preciso construir algo invisível, mas eterno.
Se você leu até aqui, eu creio que há um propósito.
Se isso fez sentido pra você, compartilhe com alguém que também precisa ser abraçado por palavras.
Com carinho,
Fabiola

